Nem todo mangá precisa ter mais de 30 volumes para contar uma história marcante. Às vezes, uma obra mais curta consegue entregar personagens mais memoráveis, ideias complexas e até algumas das experiências mais emocionantes que o leitor pode encontrar, mesmo em tão pouco tempo, claro, uma obra mais longa pode e costuma ser mais marcante, mas, muitas histórias curtas conseguem o mesmo e impressionante feito.
Se você está procurando uma leitura para começar e terminar em alguns poucos dias, esta lista reúne 5 mangás parar ler em uma semana, obviamente tudo depende do seu ritmo, boa parte delas eu demorei inclusive bem mais que uma semana para terminar, mas a qualidade delas e o estilo da narrativa favorece muito isso.
Vale lembrar também que “curto” é relativo. Alguns títulos têm cinco volumes, enquanto outros passam dos dez. A ideia aqui é considerar não apenas a quantidade de volumes, mas também o ritmo da narrativa, já que obras como Oyasumi Punpun são densas e, apesar de ser curta, é interessante levar ela consigo por tempo o suficiente para absorver todas as mensagens. Por fim, independentemente da forma como você irá tratar a leitura desses títulos, fique aqui com um top 5 levemente diferenciado.
1. Blank Canvas

Autora: Akiko Higashimura (Princess Jellyfish)
Volumes: 5
Gênero: autobiografia, drama, comédia, slice of life
Provavelmente já o mais diferenciado e desconhecido da lista, Blank Canvas — também conhecido pelo título japonês Kakukaku Shikajika — é uma das escolhas mais interessantes para quem quer uma história sobre arte que não se limita ao clichê do “jovem tentando realizar seu sonho”.
A obra acompanha Akiko, personagem essa que é uma autorrepresentação de quem é a autora, na sua fase de estudante, que deseja se tornar uma mangaká famosa, mas, ao se aprofundar no ramo, percebe que precisa melhorar muito suas habilidades de desenho. Ela então começa a frequentar um curso de arte e conhece Hidaka sensei, um professor extremamente peculiar, rígido e pouco interessado em facilitar sua vida.
A partir dessa relação, o mangá acompanha a formação artística e pessoal da própria Akiko, mostrando seus erros, ambições, frustrações e amadurecimento. A obra é autobiográfica e seu ponto mais forte, para mim, é a forma como ela trata a busca pelos sonhos da protagonista, que não é nada fantasiosa e perfeita, mas fria, confusa, e repleta de arrependimentos.

Blank Canvas consegue ser engraçado e dolorosamente sincero ao mesmo tempo, por isso a leitura talvez seja mais densa e necessária de calma para apreciá-la ao máximo, mas é sem dúvidas uma ótima experiência para quem gosta de histórias sobre criatividade, fracasso, crescimento pessoal e também para quem já teve algum sonho que parecia muito mais fácil antes de tentar realizá-lo.
2. Alice in Borderlands

Autor: Haro Aso (Zom 100)
Volumes: 18 no Japão / 9 na edição BIG brasileira
Gênero: suspense, sobrevivência, ficção científica
Arisu é um jovem entediado com a própria vida que, junto de seus amigos, acaba transportado para uma versão deserta, misteriosa de Tóquio. O problema é que eles não estão sozinhos, e para continuarem vivos, precisam participar de jogos literalmente mortais. Cada jogo possui regras próprias, e os participantes precisam usar inteligência, estratégia, o físico e, muitas vezes, coragem para sobreviver.
A obra original foi encerrada em 18 volumes no Japão e no Brasil foi compilado em 9 pela JBC.
A obra é provavelmente uma das, se não a mais conhecida da lista, e não é exatamente pelo mangá, mas por sua adaptação em live-action pela Netflix, a qual eu não vi então não posso opinar, mas o material original é simplesmente fantástico pois apesar de ter uma proposta e dinâmica bem juvenis trata cada aspecto com cuidado e muita qualidade.

A obra tem vários altos e baixos, jogos mais impactantes ou menos que os outros, mas o seu macro é de muita qualidade, e talvez a maior delas seja a forma como o autor trata a humanidade das pessoas nesse ambiente tão caótico e sujeito a traições, e, claro, os jogos também.
Alice in Borderland é provavelmente uma das maiores inspirações para o famigerado Round 6, junto com o meu anime de apostas favorito, Kaiji, então se você gosta de alguma dessas obras considere dar uma chance a este mangá, já que ele trata de temas bem diferenciados e os mistérios sempre te deixam com vontade de continuar a leitura imediatamente. Por fim a obra é sim consideravelmente longa, mas é tão facilmente maratonável que pode acabar sendo para você tão rápida quanto as outras recomendações.
3. Houseki no Kuni

Autora: Haruko Ichikawa
Volumes: 13
Gênero: fantasia, ação, drama, ficção científica
Imagine um mundo habitado por seres que possuem corpos feitos de pedras preciosas, esse é o ponto de partida de Houseki no Kuni (Land of the Lustrous), o universo que inspirou a criação de Steven Universo, mas que aborda temas como a solidão e melancolia da imortalidade de forma mais sutil e carregada do que qualquer coisa do desenho. A protagonista, Phosphophyllite, ou Phos, é uma das gemas mais frágeis desse mundo, e por ser incapaz de lutar como seus companheiros, ela recebe a tarefa de produzir uma espécie de enciclopédia sobre a história natural daquele universo.
O que parece ser uma tarefa insignificante acaba levando Phos a descobrir segredos cada vez mais perturbadores sobre seu mundo e sobre sua própria existência, e o que ela decide fazer com isso? Bom, leia e descubra por conta própria.

A obra conta com 13 volumes e, sinceramente, poucos mangás conseguem transformar uma premissa tão estranha e com eventos tão específicos em uma história tão existencial. Houseki no Kuni começa como fantasia de aventura, mas gradualmente se transforma em uma obra sobre identidade, memória, transformação e propósito. Seu início é simples, apesar de impactante, mas o que seria a segunda temporada do anime caso fosse adaptado e em diante é uma história de genuína êxtase em tudo o que se propõe.
Então sim, se você já assitiu ao anime da obra considere ler também não só o que vem a seguir no mangá mas todo o seu material, um dos motivos é a arte de Haruko Ichikawa, que é simplesmente diferente do habitual da mídia, mas o jeito que a história como um todo é contada é fantástico, e não dificilmente pode ser lido em poucas semanas, já que sempre mistérios e explicações são trazidos para incrementar mais e mais nessa loucura que é, sem dúvidas, um tesouro dos mangás.
4. Historie

Autor: Hitoshi Iwaaki (Parasyte)
Volumes: 12
Gênero: histórico, drama, épico
Do mesmo autor do superestimadíssimo Parasyte, obviamente na minha opinião, Historie é uma história bem mais ousada, inovadora, e particularmente subestimada.
O mangá acompanha Eumenes, um jovem extremamente inteligente e que existiu na vida real, que no futuro da história virá a se tornar secretário e comandante de Alexandre, o Grande.
A narrativa acompanha a trajetória de Eumenes desde os primeiros anos de sua vida, mostrando como suas experiências, sua inteligência e as circunstâncias ao seu redor ajudam a moldar o homem que ele se tornará.

A obra ainda não acabou, mas atualmente conta com 12 volumes e, para quem gosta de história, estratégia e personagens extremamente inteligentes, Historie é uma recomendação quase obrigatória.
O mangá trata de uma época diferente da nossa e, ao menos para mim, foi fantástico simultaneamente que eu acompanhava ela ter a mesma época tratada nas minhas aulas de história do ensino médio. E se você não gosta muito do assunto, considere dar uma chance mesmo assim porque a obra é muito única e tem arte e personagens exemplares.
5. Pluto
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Autor: Naoki Urasawa (Monster, 20th Century Boys, Billy Bat)
Volumes: 8
Gênero: ficção científica, mistério, suspense
Acho que em se tratando de densidade e quantidade de volumes Pluto é para mim a leitura mais rápida da lista. Uma releitura de uma história clássica de Osamu Tezuka, transformada pelas mãos de Naoki Urasawa em um thriller policial de ficção científica. A história começa quando robôs extremamente avançados começam a ser assassinados. Gesicht, um robô investigador, é encarregado de descobrir quem está por trás dos crimes. O problema é que as vítimas parecem estar relacionadas a um conflito do passado — e o responsável pelos assassinatos pode ser uma ameaça muito maior do que qualquer um imaginava.

De todos os temas e discussões que Pluto trata, eu vejo como o mais significante as questões de humanidade e inteligência artificial, misturado com as guerras. O mangá é sem dúvidas uma ótima escolha para quem quer uma história curta, inteligente e cinematográfica, já que o Urasawa consegue misturar investigação, ficção científica, política, preconceito e questões sobre o que significa ser humano de forma magistral e, principalmente, cativante. É uma daquelas obras que continuam na cabeça do leitor mesmo depois da última página.
São por esses e outros motivos que Pluto é o meu mangá favorito dessa lista, então se você não viu a obra, ou até já assistiu o anime, tente dar uma conferida também no mangá, que é fantástico.


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